O bingo da consciência negra nas empresas

De nos colocar no papel Wikipreto ao Morgan Freeman evocando a consciência humana, o mês de novembro guarda algumas questões peculiares. Algumas delas também estão no ambiente corporativo. É quando grande parte das empresas resolvem fazer uma programação inclusiva para lembrar que o racismo existe e que isso é muito errado. É aquela época de usar os pretos da equipe – quando existem – como token para mostrar que a diversidade é uma realidade naquele ambiente – pero, no mucho.

Outra máxima é que é tempo de “dar voz” aos negros. Mas, por vezes, o que acontece é o branco tutelando onde e quando o preto pode falar. Sem ouvir, sem entender nossas especificidades profissionais e convidando a gente para tratar de assuntos que não têm relação com nossa área de atuação, mas que parecem ser coisa de preto. Há poucos dias no Twitter, a Nina da Hora, questionou as indicações vazias que faziam do nome dela:

Outro clássico é o convite para participar de debates e produzir conteúdo para grandes marcas e empresas apenas para divulgação do trabalho ou com recebidos – mas sem cachê. Ou seja, trabalhar de graça. Será que essas empresas também chamariam brancos nas mesmas condições a ou agem como se estivessem fazendo benevolência para preto?

A data de 20 de novembro marca o dia da morte de Zumbi e se tornou Dia da Consciência Negra em 2011. É  uma conquista do movimento negro na exaltação da nossa história e para trazer a luz o debate da inclusão do negro na sociedade. Porém, a desigualdade  está se acentuado. Na última semana, números do IBGE mostraram que pretos e pardos continuam sendo a maior faixa de desempregados no país. Muitos são levados a empreender por necessidade – os boletos não esperam. Pensar em solucionar essa desigualdade é verdadeiramente ser antirracista.

Novembro não pode ser apenas o mês do branco de consciência limpa por cumprir tabela. Precisamos usar esse mês para marcar nossa resistência e lembrar da nossa existência no mercado de trabalho e fora dele.

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